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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

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12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

O Campeão de Itaquera volta para a ZL

Ele percorreu o mundo dançando e voltou para a Zona Leste. No documento é Alex Oliveira de Souza, mas esse nome só é conhecido do portão de sua casa para dentro. Do lado de fora, ele é conhecido com Casper: “Quando comecei a dançar, eu era (e ainda sou) bem branquelo. Aí, o pessoal começou a me chamar de Casper, em menção ao Gasparzinho”, lembra rindo o dançarino e coreógrafo.

A cada apresentação do espetáculo (Com) fluência, do grupo Discípulos do Ritmo, que passou pelo Circuito Sesc de Artes, seus pés deslizam levemente pelo linóleo, enquanto seus braços e corpo se movimentam de forma precisa ao som das batidas do DJ. A fluidez dos movimentos é uma conquista dos quase 25 anos dedicados à dança.

Alex, ou melhor, Casper, é bem diferente do estereótipo dos dançarinos de hip hop. Sua fala é pausada, quase não usa gírias. Apenas as roupas largas e o boné de aba reta denunciam seu amor pelas danças urbanas.

O hip hop entrou em sua vida em 1994, quando tinha 13 anos. Primeiro, nas festas que aconteciam nas garagens de Diadema, na grande São Paulo.  Depois,  teve contato com um dos primeiros grupos de B.Boys de São Paulo, o Back Spin Crew, que se encontrava na Estação São Bento do metrô.

Um ano depois de frequentar oficinas de dança, ele participava de diversas apresentações e começou a ter contato com as outras linguagens do hip hop.  “Nos shows do Thaíde e Dj Hum, estava lá a Back Spin dançando”, lembra Casper.

A dança, no início, era uma forma de lazer. Casper e os amigos iam até as praças para ensaiar os passos entre os pedestres.  O marco na carreira aconteceu justamente no extremo da Zona Leste da cidade.  “Foi na final do CINB (Campeonato Individual de Breaking), que foi disputada no Sesc Itaquera em 2001.”,  lembra. “Quase não participei porque cheguei atrasado, mas sai de lá campeão”.

A vitória foi quem projetou sua imagem, ele começou a ser reconhecido nacionalmente. O vídeo da final tinha circulado por todo o Brasil. Casper percebeu que a dança, além de um hobby, podia ser uma profissão.

Junto com os grupos Back Spin e com os Discípulos do Ritmo, o dançarino viajou mostrando sua arte. Fez espetáculos nos palcos da Europa, Ásia e Estados Unidos. E agora, desembarca no Circuito Sesc de Artes, no mesmo extremo da Zona Leste em que sua carreira deu guinada. Está de volta também para as apresentações nas praças públicas.

“As danças urbanas têm uma energia contagiante que, mesmo quem não sabe dançar, tem vontade de se mexer. A interação é muito boa nas praças”, afirma Casper. “E como o mundo dá voltas, quem sabe uma dessas crianças da Zona Leste não será futuramente um dançarino?”

 

Texto e fotos: Thaís Fero