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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

118 cidades

12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

Neymar e timburi

Lá em Boa Esperança do Sul todos conhecem o Timburi, a “arvôna” que precisa de oito pessoas de mãos dadas para cercar seu enorme tronco. A árvore é decorada em todas as festas de natal com milhares de luzinhas coloridas que a fazem brilhar, e é possível vê-la de longe.

Mas quem vai visitar o Timburi logo se distrai com outro morador das redondezas que volta e meia passa por ali – é Neymar, vizinho do Timburi que mora numa casa logo mais na esquina. Ele acorda as 5 da matina todos os dias e logo sai de casa para perambular pela cidade sozinho. Vê as pessoas acordarem cedo e irem para o trabalho, vê os comerciantes abrindo suas lojas e sente o cheiro do pão fresquinho da manhã. Lá em Boa Esperança do Sul todos conhecem o Neymar.

Neymar nasceu numa fazenda mas logo se mudou para a cidade. Foi morar na casa da Dona Branca que logo se encantou com seu jeito carinhoso. Apesar de passar o dia todo na rua visitando as pessoas e observando calado o movimento, volta pra casa sempre por volta das 6 horas da tarde para jantar. Em dias muito quentes retorna mais cedo e passa a tarde deitado no sofá da sala para fugir do calor.

Neymar é muito querido por todos. Costuma visitar sempre alguns moradores que oferecem seu prato favorito: macarrão. Às vezes se estranha com algum cachorro da vizinhança. Dizem que chega a provocar o cachorro do Mario Júnior. “Ele não pode ver um movimento de gente que logo se enfia no meio. Adora pessoas” diz Dona Branca, que ainda acrescenta: “Já apareceu até na Globo!“.

Neymar já foi sequestrado. Deixou Dona Branca preocupada. Mas como é muito conhecido, logo foi localizado e devolvido a sua família. Apesar de toda sua esperteza, tem apenas 3 anos e confia muito nas pessoas que encontra por aí. Quando Dona Branca ainda dava aulas na escola ali por perto, ia sempre à sala dos professores procurá-la e pedia água para quem estivesse por lá.

“Você vai fotografá-lo?” pergunta Dona Branca. Neymar para variar não estava em casa. “Ele tá bem feio agora, é época de troca de penas“. Ela grita algumas vezes “Neeeeeey! Neeeeey!“. E nada do pavão aparecer. “Ele deve estar por aí“. Eram 3 horas da tarde e depois de algumas voltas pelas ruas da redondeza lá estava ele. O jovem pavão de Boa Esperança do Sul, com toda sua simpatia, balançou o topete que dá razão a seu nome algumas vezes aprovando o clique da câmera como quem diz “Pode fotografar, mas por favor, nada de autógrafo“.

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Texto e Foto: Juliana Ramos