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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

118 cidades

12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

Mulheres ocupando a cena: divertidas, brincalhonas e fanfarronas. E por que não?

São várias mulheres juntas, e chegam fazendo arruaça, no mesmo palco ou sob a mesma tenda de circo, porém muitas vezes, ao invés da tenda acima de suas cabeças, a gente encontra um céu estrelado, numa praça de cidade do interior. Foi bem assim no roteiro 9!

Brasileiras, argentinas e chilenas, parece até uma reunião do Mercosul, mas não – são apenas seis artistas, mulheres, que somam experiências e usam as raízes latinas em comum para criar espetáculos com um mix de artes, principalmente com a música, que é uma linguagem universal, e as linguagens circenses, no intuito de divertir e envolver as pessoas. Português, espanhol ou portunhol, tanto fez como tanto faz, o negócio delas é fazer a mensagem chegar às pessoas. E brincando com idiomas e com as palavras, entre jogos linguísticos, música e brincadeiras, elas acontecem na praça, em um cortejo musical. 

Las Fanfarronas é um divertido grupo de música que foi criado por Tetê Purezempla e Painé Santamaria. Ambas já participavam de outros grupos musicais e circenses femininos, e sentiram a necessidade de fortalecer a presença das mulheres na cena artística dos picadeiros e palcos. Apesar de já existirem outros grupos formados por mulheres circenses, ainda é preciso reforçar essa presença, e levar a linguagem da palhaçaria musical feminina, que ainda não é algo tão divulgado, para mais e mais pessoas. O grupo se propõe a experimentar a fusão dessas duas linguagens – música e circo – em suas criações, através de artistas que são muitas vezes também arte-educadoras, e portanto utilizam das ferramentas lúdicas para transmitirem sua mensagem. Humor e música, destreza técnica e artística entram em cena.  

Sobre a questão de ser um grupo exclusivamente feminino em um ofício ainda hoje prevalentemente exercido por homens, perguntamos para a argentina Painé Santamaria sobre o movimento de mulheres ocupando as cenas e realizando cada vez mais tarefas, fazeres e funções. Ela nos explica que o grupo deseja ser uma inspiração para outras que virão, assim como outras foram também uma fonte de inspiração para elas, e com isso, mostrar na prática que as mulheres podem desenvolver o trabalho que desejam.  

Em uma época que tantas mulheres ainda sofrem violências e acabam com suas liberdades reduzidas, o acesso à cultura é certamente uma parte da engrenagem de capacitá-las para entender, questionar e mudar uma sociedade ainda tão machista. E esse movimento está no palco, nos picadeiros, nas praças e nos locais mais inusitados. Lembrando que no mesmo roteiro que Las Fanfarronas se apresentam, o número 9, que passa por Tanabi, Fernandópolis e Jales, (Sesc Rio Preto) Ubatuba, São Sebastião e Caraguatatuba (Sesc São José dos Campos) e ainda Atibaia, Bragança Paulista e Nazaré Paulista (Sesc Jundiaí), também se apresentam as Inigualáveis Irmãs Cola, Thais e Tatiane, artistas malabaristas, que também usam e abusam de brincadeiras e comicidade para tocar no assunto dos direitos das mulheres e de respeito pelas pessoas. Na dança, os cariocas da Companhia Urbana de Dança, que na sua maioria é formada por bailarinos homens com apenas uma mulher em cena, mesmo assim, também fizeram questão de trazer o tema ao espetáculo mais de uma vez, e mostraram com muito ritmo e bom humor que respeito à individualidade das mulheres é imprescindível, quanto na arte, quanto na vida. alias, a bailarina do grupo é peça-chave em várias cenas que eles criam ao longo da apresentação.

Coincidência ou uma tendência desses tempos? Fica pra gente pensar a respeito e refletir mais, porém o fato é que elas estão cada vez mais atuantes, inclusive em papéis que antes eram exclusivos deles, e fazendo bonito. Fazendo a gente rir, cantar e se emocionar.  

E que venham mais espetáculos, mais arte, muito mais risos, mais cultura livre nas praças, e com certeza, mais mulheres, fanfarronas ou não, pra fazer a gente continuar a se emocionar no Circuito Sesc de Artes.