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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

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12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

Maxixe, boleros e He-Man

Domingo é dia especial em Birigui. Tornou-se costume os munícipes se reunirem na praça Dr. Gama, na região central, para prestigiarem a Corporação Musical Maestro Antonio Passareli, grupo em atividade desde 1921. Também incorporou-se à rotina, a exigência da população pela execução do tema de abertura do desenho infantil He-Man. A população não se satisfaz enquanto a banda não efetua a tarefa semanária.

No grupo há pluralidade de idades e profissões. Composta por advogados, pedreiros, coveiros, carpinteiros e servidores públicos. Alguns integrantes são músicos profissionais, mas sua maioria, 80% são amadores.

“Ela é bastante eclética”, diz Sueli Astolfi, professora no município. Para ela, a interação entre os temas musicais mais antigos, até os recentes, atrai atenção. “Há respeito pelos gostos musicais regionais. No repertório, há mescla entre músicas clássicas e temas populares”, comenta.

Na década de 1980, a banda passou por uma série de mudanças. Houve uma renovação tanto na parte estrutural quanto na musicalidade com objetivo de aproximar ainda mais os biriguienses da tradição musical. “Surgiu o interesse de mudar a nossa identidade. Tocávamos apenas marchas, maxixes, boleros e outros ritmos dos anos 50. Resolver inserir novas canções e alterar algumas características, mostrou-se fundamental para a manutenção da memória”, expõe o antigo maestro Lino Ponsig.

Nesta época, um dos componentes criou um arranjo para a canção He-man. “Todo o repertório é agradável, mas a música He-man é o diferencial, além de ser a preferida entre as crianças”, conta a professora Sueli.

Em algumas ocasiões, a banda inseriu guitarras elétricas em suas composições. O atual maestro Carlos Eduardo Claudino explica que realiza experimentações diversas. “É necessário pensar na aceitação do público quando há investimento em novidades”, afirma.

Segundo o maestro, o grupo existe em decorrência da proximidade com o público. “A inspiração, e a continuidade vem das pessoas que nos assistem”, diz. Ele esclarece que a população prefere tê-los perto e não separados pelo palco. “Há, inclusive, a insistência pela apresentação no chão. Quando tocamos em palcos não funciona muito bem. É o público quem orienta.”

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Texto e foto: Marinho Rodrigues