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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

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12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

Foi um rio que passou em minha vida, ora pois…

Figura fácil nas rodas de samba de Limeira, Antonio J. da Costa, veio ainda menino da Terrinha e pra sempre virou o “Portuga” aqui no Brasil.

De um pequeno vilarejo do velho continente, sua primeira parada foi o Rio de Janeiro, onde desde cedo, o samba mostrava que seria um dos protagonistas na vida do lusitano. Tanto que o predestinou a carregar a emblemática carteirinha de sócio número 500 de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, a azul e branco de Oswaldo Cruz, Portela.

“Tinha alguns parentes em Nova Iguaçu que conheciam o Natal, foi aí que começou minha ligação com a Portela”, relembra. O Natal em questão é Natalino José do Nascimento, o Seu Natal da Portela, uma das figuras mais importantes da história da agremiação. Bicheiro patrocinador da escola, eleito presidente de honra, sempre foi muito respeitado na comunidade portelense.

E foi voando nas asas da Águia de Madureira que o português comemorou uma série de títulos: “Se não me engano, o primeiro campeonato que ganhei, foi também no ano em que o Paulinho da Viola emplacou seu primeiro samba enredo”. Portuga se mudaria para Limeira anos depois, acompanhando o pai – “Morava em Limeira e trabalhava em São Paulo”, conta.

Portuga fala com grande carinho da passagem pela capital paulista: “Minha ligação com o samba de São Paulo também é muito forte, conheci muitos nomes do samba paulista, penso por vezes que minha história com o samba de lá foi até maior do que no Rio. Diversas vezes descolei os músicos pra acompanhar o Zeca, ainda no início da carreira, quando vinha tocar em São Paulo”. Detalhe, “o Zeca” é este mesmo que você está pensando, o Pagodinho.

Hoje, dono de um bar anexo a um posto de combustíveis, ciceroneia ali algumas rodas de samba na cidade e lavra uma ponta de orgulho – “Sinto que dei minha pequena contribuição para o samba de Limeira.”

Recostado ao balcão, tamborilando e balbuciando seu ziriguidum, mais uma vez portugueses e “descobertos” se misturam no caldo cultura que é esse país.

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Texto: André de Moura Romani | Foto: acervo pessoal