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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

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12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

Pipocas de macarrão

O clima estava agradável, a missa acabara há poucos minutos e as crianças já corriam alegremente pela praça. Brincadeira esta que só era interrompida por um momento único, corrigindo, momento não, um aroma único, o das pipocas quentinhas do Seu Geraldo.

O trecho acima poderia ser o depoimento de qualquer um dos moradores de Bragança Paulista. Por mais de 40 anos, o carismático pipoqueiro trabalhou diariamente na Praça Raul Leme. Entretanto, este não era um vendedor como os outros…

Assim como os americanos na Grande Depressão, Seu Geraldo encontrou no alimento barato e popular um meio de sustentar sua família. Mas não eram grãos de milho que estouravam naquele carrinho, ali pulavam pipocas de macarrão! Assim como muitos moradores das cidades vizinhas, você deve estar se perguntando, pipoca de macarrão? Pois é, talvez a cidade da linguiça, também possa ser a cidade da curiosa iguaria chamada pelos índios tupis de pï’poka que significa “estalando a pele”. O que os tupis não imaginavam era que seu valioso alimento, o milho, seria substituído por uma massa.

Procurar essa receita na internet é coisa para um garimpeiro virtual, você também pode tentar descobrir o segredo desse sucesso pela cidade, mas assim como a descoberta do macarrão é creditada ora aos chineses, ora aos árabes ou italianos, você ouvirá de forasteiros as mais diversas respostas. A mais comum é: “Ahh. já ouvi falar, mas nunca comi, nem vi”. Será que o Zeca Pagodinho andou por esses lados?

Mas a fórmula principal para o coroamento do ilustre pipoqueiro, todo morador da cidade conhece: a simpatia e carinho que o mesmo tratava seus clientes, que sempre eram recebidos com um sorriso nos lábios e a indagação: “Tá quentinha?”.

O querido bragantino recebeu justa homenagem da Câmara Municipal de Bragança Paulista e também foi lembrado durante o carnaval, com o Bloco do Seu Geraldo. Agora o carrinho do mais querido pracista de Bragança virou história – foi doado por sua família ao Museu Municipal “Oswaldo Russomano” – e a pipoca que foi servida com tanto esmero por várias gerações, de diversas famílias se perpetua no imaginário popular.

Outros pipoqueiros existem, outros virão, mas somente “Seu Geraldo, O Pipoqueiro” foi capaz de fazer um texto na famigerada terra da linguiça, ser um texto sobre pipoca de macarrão e o seu querido vendedor.

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Texto: Danilo Lima | Foto: Acervo/ Divulgação