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ARTE NA RUA PARA TODAS AS PESSOAS

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12 A 28 DE AGOSTO DE 2022

12 - 28 AGO 22

100 anos comendo bolinho

A cidade de Itapetininga é conhecida como a “terra do bolinho de frango”. A receita, criada há mais de 100 anos por Dona Cuta, foi declarada patrimônio cultural da cidade (Lei no. 4.982) em 3 de outubro de 2005.

Também conhecido como encapotado, a massa dos bolinhos é composta por água, farinha de milho, polvilho azedo, caldo de galinha e cheiro verde, já o recheio é feito com pedaços de coxa e sobrecoxa de frango, partidos ao meio sem desfiar.

– “O pessoal da região gosta muito dos bolinhos, acho que gostam do nosso tempero”, diz José Lauri de Camargo, que vende bolinhos na barraca da família, há mais de 30 anos, na Praça da Matriz.

Ao se casar com a dona Rosa, a mãe do senhor Lauri passou o segredo da receita e a barraca para que o casal tomasse conta do negócio. Por dia são vendidos em torno de 2.000 unidades, porém a produção já chegou a 4.000 bolinhos por dia.

Seu Lauri e Dona Rosa, contam com a ajuda de oito funcionários, são quatro ajudantes na cozinha e quatro na barraca.

– “Todo dia produzimos os bolinhos que chegam à barraca congelados, prontos para fritar. Em cada fritada, são preparados 40 bolinhos. Quem quiser pode comprar os bolinhos congelados e fritar em casa, também”, disse Dona Rosa Rocha de Camargo.

Ao perguntarmos ao senhor Lauri se a receita seria passada para seus filhos, ele responde:

– “Acho que não, minhas filhas já estão formadas e nenhuma mostrou interesse nos bolinhos, se tivessem feito nutrição até podia ser, mas fizeram advocacia. A faculdade delas foi paga com esses bolinhos aqui (mostra a vitrine em sua barraca) e tenho orgulho disso. Para fazer bem feito tem que gostar do que faz, né?”
– “Tó, experimenta um bolinho. Oh Vera (uma das funcionárias da barraca), dá uma tubaína também! Assim fica mais gostoso.”

E durante o dia todo pessoas passaram na barraca e compraram seu bolinho, seja ele para o café da manhã, almoço ou lanche da tarde, comer bolinho de frango na rua, já faz parte da vida dos itapetininguenses.

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Texto e Foto: Indiara Duarte