Você já pensou em ver uma pessoa 100% feliz?

Maria Raimunda e a banda Mustache e os Apaches no Circuito Sesc de Artes

A pergunta que empresta suas linhas ao título deste texto me foi feita hoje, no Calçadão Dom Pedro, centro de Guarulhos, por uma senhora emocionada que fez marmanjo chorar. O nome dela? Maria Raimunda. Nascida na pequena cidadezinha de Itamira, na Bahia, a professora aposentada de 62 anos me contou, com olhos marejados, que sempre teve tino para as artes.

Deixou sua cidade natal com 7 anos de idade e aos 17, sem apoio da família e tentando alcançar o grande sonho de ser artista, saiu de casa.  Raimunda queria ser Chacrete, então se lançou nos testes para ser dançarina, atriz, cantora e tudo mais. Escrevia poemas, sendo que  alguns foram até publicados. Porém, a falta de aceitação por parte dos familiares ainda a machucava, com o pai chegando a dizer que se mataria se ela não voltasse para casa. Maria então retrocedeu, deixando seu tão almejado sonho de lado em nome do amor que ainda sentia pelo pai. Mas disse que nunca o perdoaria por aquilo.

Passado algum tempo, o pai adoeceu. Um dia então, Maria receberia um telefonema de sua irmã com uma mensagem inusitada. O pai estava bem doente e debilitado, mas tinha algo muito importante a lhe dizer. Ele queria pedir perdão a ela, para assim poder morrer em paz. E a mensagem veio acompanhada do pedido de que ela cantasse para ele. Porém, por um destes caprichos do destino, ele entrou em coma e não poderia ouvir a filha cantar. Assim mesmo ela foi até ele, o perdoou e cantou.

“Ele não podia me ouvir. Mas eu senti que a feição dele mudou. Ele me escutou com o espirito. Eu cantei para ele e naquele momento, eu o tinha perdoado”Maria Raimunda

Quando se casou, diz ela que fez apenas uma exigência para o seu agora falecido marido:  “eu o amava muito, mas pedi para que ele nunca me impedisse de alcançar o meu sonho”. Ela então se lançou de corpo e alma no que realmente queria fazer. Agregou suas paixões a sua formação acadêmica, a pedagogia, ensinando sempre que o artista é um educador do povo, que o ensina a sentir, amar e compartilhar as coisas.

Hoje, Maria brincou, cantou, dançou e se emocionou com aquilo que gosta de fazer. Encontrou do ladinho de casa tudo aquilo que um dia correu o risco de não ter mais. Nos mostrou que a arte é sim, como ela mesma diz, “uma mola propulsora que faz o ser humano se sentir feliz”.

Vibrando e participando, Maria chorou, sorriu, fez chorar e fez sorrir.

Então, a resposta para a sua pergunta, é sim.

Muito obrigado!

#CircuitoSescdeArtes

Escrito por:

Willian Lopes de Abreu

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