Um Sesc onde não há Sesc?

Quem passa pela cidade e cruza as placas de sinalização de trânsito tem a atenção tomada pelas indicações ao Sesc. Ora, se não há uma Unidade do Serviço Social do Comércio na cidade, por que há esta orientação? A resposta é simples (e curiosa): porque lá existe um bairro chamado Sesc, distante cerca de 4km do centro da cidade.

A instituição era detentora de uma extensa área daquela região e decidiu, através de um decreto estabelecido em 1957, construir um loteamento residencial. O extinto IAPC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários) ficou responsável pela construção e comercialização das casas, enquanto o Sesc, que cedera a área ao órgão, responsabilizou-se pela urbanização do local.

Então, em 13 de agosto de 1961, o empreendedor social Brasílio Machado Neto corta as fitas inaugurando a comunidade que, apesar de ser conhecida como Bairro Sesc, leva seu nome. Logo seus pioneiros se organizaram para criar a SACCS (Sociedade Amigos da Cidade Comerciária) que serviu para atender seus comunitários na difícil adaptação dos moradores vindos da Capital para um bairro de uma cidade em desenvolvimento. Muitos foram os obstáculos, porém com competência driblaram as adversidades.

Hoje, são, mais ou menos, 2000 moradores em aproximadamente 415 casas em nove bem estruturadas ruas, entrando já na quarta geração de “sesquianos”. Todos eles têm boas lembranças e histórias do lugar: o extinto Club de Campo Satélite, a Revista do Comerciário, as partidas no campo de futebol, as cerimônias na igreja, as inúmeras brincadeiras de rua das crianças, os bailes de carnaval do Centro Social, a bica de água da Rua I, a gigante seringueira que dá boas-vindas ao bairro, além do famoso Baile das Rosas, quando os jovens dançavam de rostos colados e, à meia noite, assim que as luzes se apagavam, os casais bailavam segurando velas acesas. O clima favorecia os romances, embalados por belas canções – o sucesso das paradas, na ocasião, era Ray Conniff – e no ar pairava os aromas dos perfumes da época.

Atualmente, apesar de diferente dos tempos remotos, os comunitários continuam com um carinho imenso pelo local e seguem na batalha por melhorias públicas, trabalhando afetuosamente no resgate de tantas e boas memórias.

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