Tabatinga Despertando Amores

“A primeira vez a gente nunca esquece”.

Na real, nós sabemos que esse ditado não vale para tudo. Mas com certeza faz sentido quando pensamos na primeira passagem do Circuito Sesc de Artes por Tabatinga, que aconteceu no último dia 28. A cidade acolheu o evento de braços abertos – e em troca, recebeu arte com muita paixão, algo notável em cada atração do Roteiro 5.

Conhecida como “a capital brasileira do urso de pelúcia”, ela não é singela apenas por esse motivo, mas também por outros detalhes, diversos, como sua tranquilidade, por seus habitantes curiosos e dispostos a conversar, pela movimentação tranquila das ruas, com passantes, cães amistosos e música saindo das janelas… Como não gostar?

Cidades pequeninas parecem ter seu próprio tempo, longe da correria desenfreada de outros lugares, e Tabatinga é assim. Mas surpreende quando necessário. Havia a dúvida: “Será que a galera daqui vai gostar do nosso Circuito?”. Mas bastou um microfone ligado, uma vinheta com som mais alto pra provar que sim. Aproximou-se o senhor de bermudão e Havaianas, a mãe com seus filhos, alguns garotos que brincavam ali perto…

Pessoal se acomodando para assistir o espetáculo Flou!

…e de repente, formou-se uma multidão com todo tipo de rosto sorridente e falante, que permaneceu na praça até a última atração. Que seguiu o Flou!, interagiu com a Máquina de Brasilidades, balançou com o Maracatu Bloco de Pedra, assistiu Curtas de Chaplin, levou pra casa xilogravuras e muito mais, numa noite inesquecível que, bem rapidinho, nos deixou apaixonados por Tabatinga e torcendo para revê-la logo no ano que vem.

Máquina de Brasilidades em Tabatinga.

Crianças e adultos aproveitam as atividades do Circuito Sesc de Artes.

MAS TABATINGA NÃO FOI A NOSSA ÚNICA PAIXÃO….

…quer dizer, pelo menos a minha única. Porque outro amor que encontrei em Tabatinga tinha nome, apesar de no começo eu não saber qual era. Ele me cumprimentou logo que eu cheguei. Vira lata, pequeno e “amarelinho”, com umas marquinhas de machucado no lado esquerdo do rosto. Na falta de um nome pra me aproximar, o chamei de Tobias.

Durante todo o Circuito, onde quer que eu fosse, meu amigo de quatro patas estava lá; às vezes saia de perto, quando uma oferta de comida era mais tentadora, mas sempre voltava. Andou entre as crianças que liam atentas no Gabinete, dormiu embaixo de bancos próximos.

Até que certa hora uma senhora o chamou: “Nico, vamos pra casa!”. Ele balançou o rabo e demorou se espreguiçando, mas não a acompanhou. Sorri para ela e disse, “achei que fosse um cão de rua”. “Ele quer ser mesmo”, me contou. “O adotamos há uns meses, mas o Nico sempre volta pra praça. Foge de casa, e quando tá com fome e “estrupiado” de brigar, ele volta como se nada tivesse acontecido…”

Então era isso: Tob…ops, Nico, já tinha uma família. Nossa história de amor de Circuito deveria morrer ali. Admito: uma parte de mim queria era colocá-lo na van e trazê-lo para Araraquara, mas poxa, melhor não, né? Aceitando que nós não devíamos ficar juntos (lenços, por favor!), continuei com sua companhia até a hora de ir embora. Nosso lance foi breve, mas intenso.

Este é o Nico, vulgo “Tobias”.

E quem acompanhou sabe que o cãozinho ficou olhando na hora em que eu entrei na van. Te vejo em 2018, Nico?

Escrito por:

Renato Alves

Posts Relacionados

Comentários