Barretos, a cidade onde acontece o maior festival de rodeio e de música sertaneja do país, recebeu desta vez um grande ônibus amarelo trazendo maracatu, cordel, teatro, circo e outras atividades diferentes do cotidiano daqueles moradores. Claro que surgiu aquela dúvida entre nós: será que esse público vai gostar da nossa arte?

A Estação Barretos, de 1928, desativada para o transporte ferroviário, mas ativa como Centro Cultural, foi o cenário das apresentações desta sexta-feira quente.

Para chamar a atenção da vizinhança de que o Circuito Sesc de Artes estava começando, o maracatu do Bloco de Pedra percorreu as ruas ao redor, atraindo olhares pelas janelas, fazendo pessoas saírem às portas e disparando alarmes de carros.

O Sol caía ao fundo da praça e o público se aproximava aos poucos quando os meninos da Cia. da M.A.T.I.L.D.E. apresentaram sua divertida intervenção literária Nas Abas do Meu Cordel. Falando em cultura nordestina, lá estava Valdeck de Garanhuns e sua esposa Regina Drozina artesanando no Gabinete de Curiosidades e Habilidades. Traziam a isogravura (feita com isopor), a produção de um boizinho inspirado no Boi-Bumbá e a impressão de xilogravuras (feita com madeira), ali na hora, com a ajuda da Rosy Cunha. Ao seu lado, o Curta(s) Chaplin rolava e os meninos do Rodas de Leitura mediavam a interação dos pequenos com os livros.

Já era quase noite quando um jazz misturado a alguns póins e um homem com a roupa toda suja de tinta atraiu o pessoal, que já era em maior número agora. Era o artista basco Ieltxu Ortueta que virara o melhor amigo da garotada, brincando de dançar, pintar e pegar, na cativante apresentação do Flou!. Emendando a programação, personagens estranhos, mas simpáticos, chegavam num passo dançado entre as pessoas, causando um certo medo (em algumas crianças) e encantamento ao mesmo tempo. Eram os atores da companhia Mevitevendo, com suas cabeças de máscaras desproporcionais ao corpo, representando o delicado Theatro Misterioso.

Fechando a noite de atividades, o bando de palhaços do Clownbaret envolveu a todos que ainda ali ficaram com sua maravilhosa Máquina de Brasilidades. Para puxar a alavanca da engenhoca, teve criança eufórica, criança tímida, jovem rastafári, super mãe e até pai Jaspion. Sem contar a presença hilária de Claudinha Milk: um senhor puxado da plateia para dançar axé com o pessoal de nariz vermelho. Nada que o fizesse passar muita vergonha. #SQN (Só que não…)

No fim, acreditamos que nossa dúvida foi sanada: o público de Barretos gosta sim de outra coisa que não seja Festa de Peão e sertanejo.

O grupo todo ainda passa por Serrana e finaliza em Jaboticabal.

Escrito por:

Julia Parpulov

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