Roteiro sim e estou vivendo…

Era mais uma semana de Circuito. Mais um ônibus, com mais pessoas a conhecer. Posso até dizer que foi sorte meu aniversário cair bem no dia da viagem, pois facilitou a integração, já que ganhei logo de cara um Parabéns coletivo daquelas pessoas que nunca haviam me visto na vida.

Quando me apresentei e disse o que faria durante aqueles dias com eles, alguém gritou no fundo do busão: “Necessária!”. Mal sabiam que eram eles os necessários, esses artistas de todos os 14 roteiros. Logo em seguida começaram uma cantoria para mostrar com quem eu estaria lidando: “Roteiro 5 e estou vivendo, tem gente que não roteia e tá morrendo. É o roteiro 5!”, se apropriando da música, Eu bebo sim, que foi sucesso nas vozes de Elizeth Cardoso e Elza Soares. É, o entrosamento estava nível hard.

Quem eram essas pessoas? Quem fazia parte do quê? Não sabia, mas fui vivendo…e é nesse vídeo que você vê um pouco do que foram esses dias em que passamos por Barretos, Serrana e Jaboticabal.

PS: E não é que o Seu Celso, que conhecemos nas ruas de Ribeirão Preto, acertou que esse roteiro tinha o Nordeste e a alegria na veia?

Na mala bastante saudade

Irradiando energia, o maracatu contagiante do Bloco de Pedra abria os trabalhos do dia e mesmo em número reduzido de integrantes garantia a sonzera pelas ruas das cidades. Os divertidos meninos da Cia. da M.A.T.I.L.D.E. traziam a intervenção/show Nas Abas do Meu Cordel com a cultura nordestina que a gente adora. O basco Ieltxu Ortueta vinha com seu criativo Flou!, uma brincadeira/pintura ao vivo interativa que as crianças amavam, inclusive a ele. O pessoal da Cia. Mevitevendo era mais discreto, combinando com a sua delicada e surreal peça Theatro Misterioso. Já os nada discretos palhaços do Clownbaret ofereciam mais conhecimento sobre a cultura do nosso país no espetáculo Máquina de Brasilidades, com muita zoeira, claro. Com um sotaque arretado e uma mente brilhante, Valdeck de Garanhuns veio com toda boniteza da xilogravura e da isogravura, cheio de simpatia e cordéis para contar. Sua esposa, também artista, Regina Drozina, nos ensinou à confeccionar boizinhos de Boi-Bumbá, coisinhas lindas feitas por nossas mãos. O casal ainda contava com a ajuda da Rosy, que com suas unhas azuis, nos guiava na impressão das xilogravuras. Completando a trupe, o Rafa e o Magno, do Rodas de Leitura, tinham a importante função de mediar leitura para crianças e adultos, fazendo o público viajar por um momento que fosse.

Todos juntos no último dia do Circuito Sesc de Artes. Foto: Sté Frateschi

Eu me via como um “miniroteiro” dentro destes grupos dos quais me relacionei. Chegava como uma novidade e depois ia embora, assim como eles faziam nas cidades, mas sempre gerando uma troca mútua.

Foi experimentando esse convívio com três diferentes turmas maravilhosas (Roteiro 1, 11 e 5), ao longo destas três semanas, que percebi como o ser humano é incrível quando quer. Diante de tantas coisas ruins que têm acontecido no mundo e em nosso país, essas pessoas, que na maioria também não se conheciam, se tornaram uma grande família e todos os mais de 500 artistas participantes formavam outro grupo ainda maior, sempre com a mesma finalidade: levar vida, arte, encantamento, sorrisos, efemeridade, lembranças e felicidade às pessoas destas cidades que não têm a presença fixa do Sesc.

Tenho certeza que a missão foi muito bem cumprida. Obrigada a todos, mesmo àqueles que não conheci.

Texto,Vídeos e Edição:

Julia Parpulov

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