O que fazemos quando a chuva chega

Fernandópolis

Estávamos na metade do espetáculo de circo quando a chuva começou com força na Praça da Matriz em Fernandópolis. Todos os artistas se meteram no camarim, o público correu para se abrigar onde pôde. A maior parte pegou o caminho para casa. De pouco em pouco, iam para fora, esticando a mão, para ver se maneirava a chuva. A temperatura caiu, mas os corpos não esfriaram. Muitos dançarinos do 3 ao Quadrado ficaram ensaiando seus passos, ainda na dúvida se a chuva pararia a tempo de eles se apresentarem. De repente, a chuva parou, rodos surgiram para secar o tablado. A Espetacular Charanga do França começou seus batuques e seus sopros. Só que no meio da primeira música, a tempestade mandou o recado. Ainda era cedo demais para reocuparmos o espaço. Voltaram todos ao camarim. Dessa vez, tocando seus instrumentos. Quando menos esperávamos, a Charanga ganhou um corpo de baile de bboys no ritmo da dança de rua. Uma programação inusitada batizada por uma chuva imprevista.

O Circuito Sesc de Artes estava montado em Boituva, pronto para correr dentro da normalidade. As oficinas entretinham os mais novos e a intervenção do grupo Flor de Chita fazia graça dos causos do povo. Um lindo sol se pôs diante da igreja na Praça da Matriz, levando consigo a estabilidade metereológica e a perspectiva de que os conformes seguiriam na pauta.

Choveu às pencas. Choveu pra não fazer distinção entre piso e chafariz.

Com isso foi-se grande parte do público, foi-se a secura das meias, o calor interiorano, o circo e a dança.

Os ilhados ficaram vendo navios que a suposta enchente trazia, até que a Trupe Chá de Boldo os levasse para a Fantástica Fábrica de Chocolate.

Reeditado com legendas críticas à política atual, o filme ganhou contornos mais profundos e lisérgicos através do olhar do grupo, que não se limita a uma adaptação óbvia da trilha deste clássico, mas produz diversas camadas de interpretação à obra e garante momentos de grande intensidade musical.

Da doçura à acidez, a Trupe Chá de Boldo conduziu a noite do Circuito Sesc de Artes em Boituva a um desfecho acolhedor e divertido, que fez lembrar daquela noite fria em que desistimos do plano para ficar vendo filme no sofá.

Capivari

O dia amanheceu chuvoso em Capivari. A equipe da montagem optou por deixar a praça pra se abrigar na tradicional Escola Municipal Augusto Castanho. A chuva parou. O sol apareceu. Cogitamos o retorno à praça, mas durante a montagem os alunos da escola ficaram eufóricos com a oficina de serigrafia que já dava as caras, os instrumentos dos palhaços postos, o telão do cinema em teste… ficamos! E foi só alegria!

Entre elas, o Benjamin, que com 13 anos esbanjou sua habilidade da dança e escolheu Singing in the Rain durante a intervenção do Cine Dance que integra o roteiro 3.

E ele foi ficando… e o público também. Para o circo, para a dança, para o monólogo do Homem da Silva e para as inúmeras participações especiais durante o show itinerante da Orquestra de Frevo de Capibaribe (PE) com direito até à passista de escola de samba caindo no frevo.

“Entrei no clima da chuva e escolhi essa música pra me esquentar… A dança me alegra e me agita”

Benjamin Annichino tem 13 anos, estuda na Escola Municipal Augusto Castanho, o plano B do Circuito Sesc de Artes em Capivari.

Escrito por:

Bárbara, Wagner e Rafaela

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