Pequenas crônicas de Serrana

O menino estava atento, mas não era na missa. Bem ali na frente dele, um espetáculo que nunca vira e nem imagina quando verá novamente. Ele só tinha olhos para o Ieltxu, que brincava e pintava numa espécie de dança com as outras crianças. Eu! Eu! Eu!, era só o que elas diziam quando o basco pegava um novo pote de tinta ou pincel. O garoto na igreja também gritava, mas internamente: Eu! Eu!.

O templo dele era fora. A diversão era sua religião.

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Eram lindas e queriam ser bruxas.

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Quanto mais gente chegava na praça, o cachorro pensava: Hoje eu como pipoca de graça.

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De cima, elas ouviam as histórias. A perspectiva desta vez mudara e o coreto virou palco do público.

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As crianças estavam felizes com suas tintas no corpo, representando a arte que haviam produzido um pouco mais cedo. Era no rosto, na perna, nos braços. Quando questionadas se elas sabiam que aquela tinta não sairia nunca mais, só o menino respondeu, em tom de preocupação: Eeeiiita.

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Esta foi a primeira vez que em que Serrana recebeu o Circuito Sesc de Artes.

Escrito por:

Julia Parpulov

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