Padaria francesa, família portuguesa, pão italiano

Panificadora Francesa na cidade de Dourado

Pães douradinhos, esfihas que mal cabem na palma de sua mão, bolachas – ou serão biscoitos? – de champagne caseiros, bolos de nozes estupidamente fartos, sonhos e bombas de chocolate com recheio de doce de leite saindo pelas beiradas.

A visão de uma vitrine com esses quitutes parece tentadora. E é frequente para os moradores de Dourado, no interior de SP – cidade que recebeu o Roteiro 6 do Circuito Sesc de Artes no último dia 5. A Panificadora Francesa tem trazido, há saudosos 81 anos, delícias desse tipo para os moradores do lugar, sem nunca deixar de se renovar.

Aberta por imigrantes franceses que vieram para a cidade, ela foi comprada em 1936 pelos avós do jovem Guilherme Pinheiro, com quem batemos um papo em nossa visita. O rapaz, que hoje administra o local com seus pais, afirma que o nome foi mantido respeitando as origens da casa, mas que sua família é, na verdade, meio italiana, meio portuguesa. E tem, botado a mão na massa sem parar há décadas. Literalmente!

“É um trabalho passado de geração para geração, e que damos continuidade nos dias de hoje”, explica o rapaz.

Pela maneira com que Guilherme conta, é fácil imaginar seus antepassados andando por aquela cozinha espaçosa, botando o forno à lenha no ponto perfeito, sovando a massa para vender o pão, ali em frente à pacata praça da igreja, abrindo cedinho para atender a freguesia. O ritual continua, em partes, muito parecido nos dias de hoje: o pai de Guilherme, o seu Paulinho, acorda cedo, às 5h, para checar os pães que passaram a noite  e deixar tudo pronto para mais um dia de trabalho.

Seu Paulinho acorda cedo pra botar a mão na massa

Até às 20h, os parentes vão revezando no balcão e atendendo diversas figuras fiéis que aparecem por lá quase diariamente.

“Assim como toda a família já esteve à frente da panificadora, nós também atendemos diversas gerações: avós, pais, filhos… um público que vai mudando e que busca novidade”, reflete o jovem.

Para agradar a perfis tão diferentes, Guilherme buscou inspiração também fora de Dourado: partiu para Águas de São Pedro fazer um curso técnico e tornar-se Técnico em Gastronomia.

Há um ano, com estudos concluídos, retornou à sua cidade Natal e trouxe uma porção de novas receitas na mala: entre elas, as de hamburguers gourmet que tem deixado as noites de Dourado muito mais saborosas. Sim! De quinta à domingo, após às 19h, o cardápio já tradicional da padaria traz outras surpresas, com lanches fartos feitos artesanalmente e com molhos da casa – tudo invenção do Guilherme, sob o olhar próximo dos pais. A experiência da “equipe” sempre conta pontos, além da vontade de aprimorar o que é oferecido:

“O segredo para servir bem é não parar de ler, estudar e se atualizar” – Guilherme Pinheiro

Não precisa nem dizer que a “caravana” do Sesc experimentou várias das guloseimas vendidas ali, não é? E a opinião foi unânime: que bom seria se pudessemos “roubar” a Panificadora Francesa e trazê-la para Araraquara um pouquinho!

Família reunida. Amor a panificação passado de geração para geração.

Numa noite de chuva – e que infelizmente encurtou o Circuito em Dourado -, soubemos de muitas outras coisas sobre os donos do lugar – inclusive uma ligação especial que eles possuem com a música. Mas isso a gente conta no ano que vem, numa próxima vinda à Dourado.

Escrito por:

Renato Alves e Willian Lopes de Abreu

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