O sonho no embu das artes

A saudade já  se anunciava nos olhos dos artistas. As horas passavam e era visível que aquele seria um dia diferente. Havia uma atmosfera incomum no ar, estavam chegando em Embu das Artes, cidade conhecida pela sua vocação por acolher artistas. E os artistas do roteiro 6 foram muito bem acolhidos pelo público que compareceu em grande número e estavam curiosos para conhecer os trabalhos destes itinerantes.

E o que viram foram sonhos que se transformaram em arte. O sonho daqueles que acreditaram que desenhos bem elaborados em guardanapos de papel pendurados num varal seriam capazes de fazer a arte e a imaginação voarem com o vento; o circo, o velho sonho de menino que desejava fazer da magia seu estilo de vida, as portuguesas que atravessaram o atlântico para contar histórias de Saramago e Fernando Pessoa de uma forma diferente, os rapazes e a menina que imaginaram que a expressão do corpo seria a sua forma de externar os sentimentos e trazer alegria às pessoas, a garota que imaginou que construir algo pequenino e contar histórias simples teria grandeza nesse mundo. Não esquecendo daqueles que sonharam que alimentar a imaginação das crianças com a literatura seria fundamental para formar cidadãos felizes.

Foi um dia para celebrar. Víamos os artistas unidos, era uma família construída em pouco menos de um mês. As apresentações iam seguindo e todos os artistas observavam com prestígio e participavam do trabalho um do outro. Sabiam que a despedida seria logo em breve e queriam ficar cada vez mais próximos, aproveitar cada momento. Prestigiar os sonhos vividos, realizados, de pessoas simples que aos poucos iam sendo apresentados.

Olhos emocionados

Os motoristas…Ah! se eles soubessem a responsabilidade que tiveram. Transportando todas aquelas vidas, todos aqueles sonhos e histórias. Acho que eles sabiam. Era a família deles que ali estava. Isso ficou evidente quando os vi abraçados com os artistas e ao final pude observar seus olhos marejados, emocionados. Eram sentimentos misturados. A emoção do dever cumprido com a saudade. É amigos! Missão cumprida!

Me vi ali, forasteiro, roubando um pouco daquela alegria e emoção. Talvez não estivesse roubando, a felicidade deles estava transbordando, doando para quem quisesse pegar. Pensei em muitos amigos que poderiam ter presenciado aquele momento. São esses sonhos, de pessoas que acreditaram, que permitem fazer com que mesmo em tempos de mar agitado, sonhar continua sendo possível.

Escrito por:

Ronaldo Domingues

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