El portunhol es la língua del futuro.

Se no século XIX, uma língua inventada, o esperanto, era sonhada como língua universal, nos nossos dias não é exagero dizer que o portunhol já é uma forma muito efetiva de comunicação. O portunhol funciona para artistas comporem seus personagens, mas também para pessoas de diferentes países da América do Sul trocarem umas ideias.

Eles estavam em um canto conversando em espanhol e eu, que recém tinha chegado a esse grupo, não sabia quem fazia o quê. Imaginei que pudessem ser os três de uma mesma companhia, mas descobri que cada um estava no Circuito Sesc de Artes com uma linguagem diferente. A Bétha dança, o Jorge equilibra esferas e o Andrés faz a trilha sonora do espetáculo de teatro.

Jorge

Jorge chegou ao Brasil pela estrada, mochilando do Uruguai para o outro lado da fronteira. Estudando muitas horas por dia em Montevidéu, não conseguia um emprego formal que lhe tomasse 8 horas do dia e, por isso, começou a se apresentar como artista de rua. Adora o malabarismo, cada uma de suas técnicas. Ele me conta que é difícil um artista ser bom em todas, e que muitos acabam escolhendo só uma para se especializar. Foi em 2001 que chegou ao Brasil e faz cerca de metade desse tempo que está em São Paulo, onde encontrou seu parceiro de apresentação, o Zuza, com quem há anos prepara o espetáculo O ritual das esferas. Os dois se conheceram se apresentando como artistas de rua ali pros lados da Avenida Paulista. Tanto o português quanto os malabares, Jorge aprendeu sozinho, no dia-a-dia. De vez em quando volta para Montevidéu, para rever a família e renovar o estoque de erva mate (que dura bastante, ele me garante, porque não é de tomar todo dia a bebida tão comum na bacia do Rio da Prata).

Bétha

A Bétha também nasceu em Montevidéu e foi também por volta de 2001 que mudou de país. De ônibus, a família saiu do Chuy uruguaio rumo a Porto Alegre, passando pelo Chuí brasileiro. Foi na capital gaúcha que Bétha se envolveu mais com a dança e, atualmente, anda com a Cia. Muovere apresentando o espetáculo Desvio. Como era ainda criança quando chegou ao Brasil, seu sotaque enquanto conversamos não difere nada de todos os gaúchos que já conheci. De vez em quando, Bétha volta com a família para visitar outros parentes uruguaios. Não perguntei sobre o estoque de erva mate, mas notei que a garrafa térmica a acompanha no ônibus.

Andrés

Quando perguntei a Andrés como ele chegou ao Brasil, me respondeu no ato: “de avião”. Pensei: “Ah, pronto! Entrevistar artista focado no humor tem seus desafios”. Mas depois ele me explicou melhor. Andrés é de Medellín, na Colômbia, e lá toca em uma banda que acompanha peças teatrais de improviso. Veio para o Brasil para apresentações, conheceu o pessoal da Cia. do Quintal e está no Circuito Sesc de Artes como tecladista do espetáculo QFC – Batalhas Improvisadas. Ele me disse que estudou português por uns meses antes de vir para o Brasil, mas acha que o vocabulário é a parte mais complicada, porque não dá pra aprender todas as palavras de uma língua. Também me disse que não domina as gírias, mas isso devia ser outra piada, porque ele me contou isso soltando um “tipo”, nosso habitual vício de linguagem.

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