Notas sobre um anoitecer em Guaratinguetá

Um bando de palhaços – modernos como você nunca viu – chega misturado ao público e convidando os presentes a segui-los:

“Vamos lá, tão fazendo nada mesmo. Vai que é bom”

Aos poucos forma-se uma plateia em torno da trupe.

“- Vocês estão preparados?

– Siiiiiiimmmmm!!!

– Nós não!”

E assim despertam a primeira gargalhada da noite.

***

Usando a calçada como ateliê, uma senhora acompanha o movimento. Enquanto faz crochê.

***

Dezenas de celulares a postos, com fotos e vídeos seguidos da seguinte mensagem:

“Você vem?”

***

– O Corinthians é campeão! Daqui a pouco a torcida começa a aglomerar para comemorar.

Dito e feito. Logo ali ao lado, rojões, bandeiras, batuques e alegria. Cada um curte a rua do seu jeito. Mas tem gente que é surpreendido, vem para festejar e acaba a noite assistindo a uma apresentação de flamenco.

“A gente gostou e acabou ficando aqui”

***

Ela chega cintilando. Impossível não notar. Dança, sorri, vibra, abraça amigos. É Céli Nunes.

“O que eu estou sentindo é indescritível. O que estou sentindo só quem está dançando pode saber, por que a gente tá com um grupo maravilhoso, musical, eles trazem pífanos e eles trazem uma cultura nordestina maravilhosa que quase nunca se vê aqui na região. Eu tô me sentindo como se eu estivesse no nordeste, por exemplo. Um pouquinho de nordeste, na beira do Rio Paraíba, em Guaratinguetá, na Avenida Presidente Vargas, é lindo. É maravilhoso. Então eu estou me sentindo maravilhosa”

***

E às margens do Rio Paraíba do Sul, Gero Camilo é Zé. Ele guia sua procissão entoando os versos:

“Nossa Senhora, Mãe Preta do Paraíba
Dá tua bênção pra gente ir cantando em frente
E pela frente põe gente em nosso caminho
Pra nóis cantá e ter sempre alguém ouvindo”

As próximas paradas dos espetáculos que inspiraram estes momentos em Guaratinguetá são Ilha Solteira, Andradina e Birigui.

Escrito por:

Mariana Krauss

Posts Relacionados

Comentários