A praça tem um movimento próprio. É dela. Os skatistas com suas pranchas sobre rodas fazem um som amadeirado em um canto. Uma cachorra acompanha – possivelmente feliz, triste não parecia – e late vez ou outra enquanto corre atrás do dono. Do outro lado da avenida, pessoas gritam umas com as outras num campeonato agitado de futevôlei. Eu mesma aprendi a caçar siri em um curso avançado com pescadores que ali na Praça da Independência de Cubatão se aglomeravam.

Agulhas movimentam-se, Charles Chaplin movimenta-se, páginas são movimentadas. Pessoas dançam em movimentos divertidíssimos que lembram cenas de cinema, enquanto a DJ também não deixa as pessoas paradas. Um monte de gente se junta para movimentar um manto lindo, prateado, que crianças de uma escola ali de perto ajudaram a prender com fitas adesivas. Não demora muito e um cortejo de homens animados cruza o espaço cantando Luiz Gonzaga e se bobear tem gente que se movimenta aí com passos de forró. Há movimentos precisos, feitos por um palhaço em apuros, em cima de um monociclo. O movimento não pára. Com a noite, famílias chegaram, e mais skatistas, e também mais crianças e como esquecer de mais cachorros. O movimento não pára, ele até aumenta, quando uma roda de samba anima um agitado grupo.

Mesmo depois de irmos embora, o movimento continua. Nos jovens que se reúnem ali na sexta-feira à noite, nas folhas das árvores que se mexem com o vento, no grupo de senhores que papeia animado, no braço de mar que se vê da mureta. O movimento continua.

Escrito por:

Bárbara Carneiro

Comentários