Itapira saindo da rotina

Ouvir um ‘muito obrigado’ de alguém que nós deveríamos ter agradecido por nos assistir, é o que vale a pena.
Iradilson Bispo, integrante do grupo Imbuaça (SE)

Pelas ladeiras e ruas estreitas de Itapira, o ônibus amarelo passava e atraía olhares. Ao chegar na Praça Bernardino de Campos, o sol do fim de tarde aquecia com sua luz amarelada aquele espaço que normalmente já é acolhedor, com sua igreja, bancos, flores e árvores, mas que, com a chegada da trupe toda de artistas, ficou mais vivo.

O Sol de fim de tarde deu mais charme à Praça Bernardino de Campos, em Itapira, no dia 28/4. Foto: Tiago Lima

As passagens de som rolavam enquanto os artistas do Circo no Beco ensinavam alguns primeiros passos nos malabares e bolhas de sabão gigantes às pessoas interessadas. O Gabinete de Curiosidades e Habilidades trazia numa face curtas de Chaplin e na oposta, lindinhas flâmulas de tecido que poderiam ser produzidas em oficina, ali mesmo e, num terceiro lado do carrinho, livros ilustrados e almofadas no chão, para ali ler e ouvir histórias com os meninos do grupo Cor Ação Cultural.

O entardecer trouxe um vermelhão do sol se pondo e foi com esse cenário extra que o grupo sergipano Imbuaça deu início à peça A Peleja de Leandro na Trilha do Cordel. Em seguida o vento frio deu as caras, mas o público se aninhou em frente aos atores e atrizes para ver o ouvir um pouco da história de um dos criadores da literatura de cordel, o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918).

Grupo Imbuaça na peça “A Peleja de Leandro na Trilha do Cordel”. Foto: Tiago Lima

Mal acabou a peça e uma invasão circense aconteceu. O público foi envolvido e convidado pelo som do acordeon – e pelas palhaçadas – a se acomodarem mais ao centro da praça, pois outro espetáculo estava para começar. Piadas, malabarismo, bolhas de sabão gigantes e um tantinho de mágica colocaram aqueles sorrisos gostosos nos rostos de todos que assistiam.

Já era noite e ao som de Tim Maia – entre outros grandes mestres das músicas sofridas de amor -, o spoken poetry dos Trovadores do Miocárdio trouxeram um ar dramático e romântico ao mesmo tempo para a praça. O público mais jovem se apropriou da poesia e da música e fez daquele espaço público o seu baile.


Fausto Fawcett em seu momento “dramoromântico”. Vídeo: Julia Parpulov

Uma galera já aguardava ansiosa pelo que vinha na sequência: Ideia e Flow com Bárbara Sweet, Stefanie MC, Kamau e MC Sombra, acompanhados do Dj Erick Jay. A noite, que seria silenciosa em Itapira, encerrou no barulho de versos e beats. Era o Circuito Sesc de Artes deixando lembranças.MC Sombra na apresentação do Ideia e Flow. Foto: Tiago Lima

Escrito por:

Julia Parpulov

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