As trincas da serpente

Localizada na área central de Itapeva, a Catedral de Sant`Ana tem grande valor cultural e histórico e é considerada como um das maiores edificações no Brasil construída em “taipa de pilão” – técnica de relevante interesse para os estudiosos de arte, arquitetura e engenharia que consiste em prensar o barro.

A igreja é uma edificação colonial que remonta à criação de Itapeva, no século XVIII, tendo passado por três grandes reformas antes de assumir a sua atual versão. Em 1785, o Sargento Mor Felipe de Campos Bicudo era incumbido de cuidar da nova povoação e de fazer “o risco” da nova igreja, dedicada à “Senhora Sant’Anna”. A igreja “tinha 48 palmos de frente por 140 palmos de fundo” e foi toda em “taipa de pilão” sob o trabalho de 40 escravos.

Atrás do altar da igreja foi recriado, em um painel, a história da criação de Itapeva, desde a chegada dos colonizadores até a fundação da Vila de Faxina, pelo artista sacro de renome internacional Claudio Pastro.

No painel é possível ver a relação com os índios da região naquela época em que foram catequizados e também a vida dos tropeiros que paravam na região devido aos rios, que serviam tanto para eles quanto para os animais que os transportavam. Assim nasce a cidade, da visão de alguns comerciantes que vislumbraram a oportunidade de ganhar a vida comercializando com os tropeiros e que passaram a construir casas no local onde agora conhecemos por Itapeva.

Outro ponto que podemos observar é a pintura da serpente que remete a uma famosa lenda regional. Segundo relata Jamil de Oliveira Ramos, vulgo Chulipa, em 1790 descobriram que a igreja trincava. As trincas foram então atribuídas ao movimento de uma serpente gigante enterrada na cidade, que tem a cabeça presa onde está a Catedral e sua cauda na represa do Pilão D`Água.

Por toda a sua riqueza histórica e artística a Catedral de Sant’Ana foi tombada pelo Decreto n.° 632187, em 2007 como Patrimônio Histórico do Município.

 

Texto e fotos: Indiara Duarte

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