É disso que estamos falando

O senhor João foi direto:

– O que é isso aê?

Ele se referia sobre eu estar sentado à mesa do Bar do Dacir munido de computador, fones de ouvido, cadernos e outras ideias que abandonamos momentaneamente para escrever este texto.

Começamos a explicar que movimento era aquele na praça de seu bairro, pontuando quais linguagens seriam apresentadas, pans… até que ele me interrompe e, quase como uma bronca, escutei: Não! Eu quero saber o que é isso ae? O que você está fazendo?

Ah!  Entendi… respondi encabulado e, claro, intimidado por ele e seu amigo que estava ao lado. Depois de dizer o que muitas vezes não sei dizer – o que faço – recebi, basicamente, sua permissão quando disse: Então tá bem, já apertando minha mão de modo firme, fosse um acordo entre cavalheiros que havia sido selado naquele momento.

Outra pausa neste texto.

Senhor João e se amigo estão na mesa da frente, tomando uma cerveja e fumando cigarros e eu e meus aparatos já não somos tão percebidos como antes. Eis que João Carlos, entre a timidez e a curiosidade, chega me pedindo para tirar os fones de ouvidos e começa a falar:

– Tenho um notebook desses, preto, que comprei para minha filha e a gente não está usando, quando você pediria nele?

Respondo, como um tio faria, que estava sem grana, vendendo o almoço para comprar a janta. Ele me olha um tanto frustrado e, talvez, um pouco menos irritado:

– Sim, mas quanto pagaria? Fosse comprar, suponha… Quanto me daria, assim igual o seu, preto, só que da Samsung.

Nessa hora, peguei toda a ligeireza que antes havia me faltado e lhe indiquei o primeiro site de comparação que apareceu no Google:

– Vamos ver aqui, tem alguns modelos diferentes, mas acho que é esse, 1500, 1800…

– Por 900 talvez, já tá bom, né?

– Pede milão logo!

– Isso, vou pedir isso! Obrigado.

É disso que estamos falando.

Escrito por:

Claudio Eduardo

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