Cuidado: o bolinho caipira de Jacareí ainda vai te conquistar

De linguiça, peixe, carne moída ou frango. Mas um ingrediente é fator comum nessa equação: a farinha de milho!

 

Patrimônio imaterial de Jacareí, o bolinho caipira faz parte da cultura da cidade e de todo o Vale do Paraíba. A iguaria é feita em vários municípios, mas os jacareienses fazem o prato típico com massa de farinha branca e recheio de linguiça. E também, até o momento, os únicos que o reconhecem como bem cultural.

Uma receita que viajou o Vale na oralidade teve seu primeiro registro no Mercado Municipal de Jacareí, em 1925, com Ana Rita Alves Gehrke. Dona Nicota, como era conhecida, vendia no Botequim do Café e nas quemesses no Largo da Matriz, e recheava-o com a carne de porco.

Hoje quem cozinha essa mesma receita é Zequinha. Encontrei-o com sua família no espaço onde vende o bolinho há 80 anos. Talvez a simpatia e a boa conversa possam ter ajudado a ressaltar o sabor; a massa bem temperada, de farinha branca e salsinha, e o recheio de linguiça, com aquele tempero de anos de experiência e tradição, me convenceram: é o melhor bolinho que já experimentei na região.


Enquanto o bolinho fritava, Zequinha me contava que a arquitetura do Mercado era totalmente diferente, e que valeria a pena ter mantido na reforma. “Mas com o bolinho a gente mantém a tradição”, e voltou para a frigideira para retirar os bolinhos.

foto do bolinho
Conversei também com Patrícia Cristina da Cruz, museóloga no Museu de Antropologia do Vale – MAV, que pesquisou o bolinho como bem cultural imaterial em seu trabalho de conclusão de curso, quando se formou na Universidade Federal de Pelotas UFPEL. Ela reforça a importância do reconhecimento do bolinho, já que a memória afetiva no fazer, no comer, na socialização é preservada e repassada a cada fritada. O trabalho dela, inclusive, pode ser visto integralmente aqui ou ainda nesse artigo.


No Pátio dos Trilhos, local onde será realizado o Circuito Sesc de Artes no dia 15 de abril de 2016, as meninas da ASPAD, Associação de Pais e Amigos do Down, Regina e Alice, com muito bom humor, servem sua receita do petisco. Lá elas têm uma “arma secreta”: o molho de cenoura, que sem ele ninguém come! Infelizmente, quando fui entrevistá-las e, claro, experimentar o bolinho, não tinha mais o molho.

foto da barraca

E hoje existe a Feira Regional do Bolinho Caipira, também em Jacareí, evento no qual cada cidade da região pode levar sua receita para degustação. Anote aí na sua agenda, ela acontece normalmente em junho.
Seja na rua, no Mercado Municipal, em casa com um cafezinho, ou ainda em festas regionais, o bolinho caipira é uma paixão de Jacareí. E agora minha também.
Eu já experimentei e gostei. E você?

foto bolinhos

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Texto, vídeo e fotos: Danilo Cava

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