Qual a distância entre Campo Limpo Paulista e a cidade de Riga, na Letônia? Hoje, as mais de 15 horas de voo não são nada se comparada à história de um artista que não encontrou limites geográficos para criar a sua arte.

Essa história sobre a arte e os lugares que ela ocupa começou quando Tao Sigulda iniciou sua vida artística. Abraçando as oportunidades de aprimorar seus conhecimentos, estudou em vários países, como Rússia, Alemanha, Áustria, Itália e França. Seus trabalhos começaram na arte abstrata e seguiram uma linha surrealista, mas com uma técnica e características distintas, passando também a produzir seus quadros em arte bidimensional e tridimensional. Além de pintor, tornou-se escultor, arquiteto e cineasta. Sua representação do feminino carrega semelhança com o surrealista Salvador Dalí, que retratava sua esposa Gala em suas obras. Tao recorria aos traços da atriz e esposa Tama, tanto na pintura quanto na escultura.

“A arte é cósmica, não se pode limitar”, assim são as palavras do artista, reproduzidas com alegria por Tama. Foi com esse pensamento que o casal saiu da Letônia, no início dos 60, rumo ao Canadá. Entretanto, o encanto pela diversidade cultural que encontraram em sua parada no Brasil foi fundamental para que eles ficassem em terras tupiniquins.

Além de sua terra natal, suas obras estão expostas em diversos museus pelo mundo, em praticamente todos os continentes. Mas é na cidade de Campo Limpo Paulista que Tao e Tama decidiram construir um legado cultural para a posteridade. Em 1985, com intuito de dar espaço e visibilidade para artistas iniciantes, o casal criou o Centro Cultural Tao Sigulda. O espaço oferece mostras, além de receber apresentações em outras linguagens, como shows e espetáculos teatrais. Ao promover mostras coletivas, reunindo obras de artistas renomados, como Tomie Otake, lado a lado aos trabalhos de iniciantes, o casal contribuiu para que vários artistas tivessem seu talento reconhecido. Os resultados apareceram: alguns artistas já passaram a expor não somente no Brasil, mas também no exterior.

Incansável e apaixonado pela arte, Tao viajou o mundo e trabalhou constantemente até sua morte, aos 92 anos. Pela curadoria de sua esposa, seu legado continua disponível ao público, logo ali, em Campo Limpo Paulista.

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Texto: Giuliano Martins
Imagens: Facebook do Centro Cultural Tao Sigulda

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