Numa rua de mão única, estreita, o tempo parece ser outro. Mais carros estacionados do que transitando. Um dos lados da calçada dedicado ao comércio, da farmácia a padaria, da sorveteria a barbearia (daquelas que parecem ter saltado de quadros históricos).

No outro lado da calçada bancos fixados num muro, sem pés, num movimento involuntário de sincronia, acomodam em cada banco uma pessoa.

Num destes bancos, uma senhora de cabelos escuros divide nas mãos a chave do carro e o telefone celular. A leitura dos gestos confunde, talvez seja pressa…

Noeli, natural de Pereiras-SP é moradora de Cerquilho há mais de 40 anos e trabalhou como costureira, até a aposentadoria.

A voz de tão pequena quase não consegue pular o muro da timidez expressa nos olhos, Noeli sempre frisa o valor do trabalho, tal qual o lema trazido pelos imigrantes italianos, espanhóis e portugueses quando fundaram a cidade – “Hic Labor Vincit” (Aqui o trabalho vence).Orgulhosa, a avó de 4 netas espera o seu primeiro neto homem.

E o que você diria, caso ele viesse até este mesmo banco daqui a alguns anos e encontrasse um bilhete seu?

Foto - Cerquilho 2

Texto e foto: André Romani

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