Campo limpo e a nossa arte em São Paulo

E o Circuito Sesc de Artes chegou a São Paulo. Não, você não leu errado. Eu disse SÃ-O PA-U-LO! O motorista não errou o caminho e eles não passaram só pela avenida. Campo Limpo (que é um bairro da zona sul de SAMPA) está no roteiro e no dia 5 de maio a trupe desembarcou aqui no Sesc Campo Limpo, que por enquanto é a única unidade da capital a receber o Circuito.

O pequeno caminhão encostou. Aos poucos foram tirando os equipamentos e objetos cênicos: o gabinete de curiosidades, as grandes mochilas do Theatro Misterioso da Cia. Mevitevendo, os rolos de papéis e tintas de Ieltxu Ortueta, do espetáculo Flou!, livros do coletivo Rodas de leitura, o estandarte do Maracatu Bloco de Pedra, e assim o Campo Limpo curtiu um dia mais colorido com muita arte.

Na hora pensei “Como é que coube tanta coisa lá dentro?”. Confesso que fiquei esperando sair dali a padiola e a escada de trocentos metros (sim, a referência é do seriado Chaves: “tragam a padiola”, em que os personagens tiravam milhares de coisas de uma pequena barraca). Aqueles objetos pareciam comuns, mas nas mãos certas tudo aquilo se transformaria e ganharia um novo sentido de existir.

Não demorou muito, logo o grande ônibus amarelo com os artistas apontava a entrada do Sesc. Não parava de descer gente. De repente o Campo Limpo estava tão movimentado quanto uma rodoviária. Todos com muita animação e suas malas cheias de histórias pra contar. Aos poucos fui percebendo que o ônibus era pequeno para tantas experiências que veríamos durante o dia.

O QUE UM ARTISTA FAZ NO INTERVALO?

Enquanto as oficinas e as rodas de leitura aconteciam no contêiner vermelho, ouvi um som vindo dos camarins. Fui até lá e me surpreendi com o entrosamento dos artistas de diferentes companhias cantando e tocando na maior empolgação. Até nos momentos de ociosidade eles estavam fazendo arte. ‘ Se tudo der errado, podemos montar uma banda’, brincou um deles.

SENTIDOS

Boizinho, Xilogravura, Gabinete de curiosidades, Chaplin, Flou!, Nas abas do meu cordel…e a tarde foi se desenhando. Mesmo com o tempo nublado o público compareceu. Ah, os seres humanos! O que realmente dá sentido a tudo isso. A combinação entre mãos, artes, expressões, olhos brilhantes…emoções. A arte e seu poder de transformar vidas.

A chuva que atravessou a madrugada até o início da manhã deu uma trégua no período da tarde. No início da noite lágrimas voltaram a cair do céu. Decerto eram de alegria provocadas pelo o animado espetáculo Máquina de brasilidades, da Cia Clownbaret. Sim, a noite foi chuvosa, mas não foi triste. A água do céu lavou a alma e abençoou o trabalho do Maracatu do Bloco de Pedra.

A luz apagou. O ônibus foi embora. Parecia um pouco mais pesado. Estava levando dentro dele muitas experiências da cultura e arte que encontrou por aqui. Público e artistas se foram. Cada um com uma nova experiência e aprendizado.

Escrito por:

Ronaldo Domingues

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