Do bicho, só tem o nome

O nome assusta. Caldo de Jegue não soa muito bem aos ouvidos de quem conhece pela primeira vez, mas com o jeito acolhedor do Sr. Mané Simpatia, todos se rendem a essa delícia. A receita foi um acaso e há 10 anos faz sucesso nas noites e madrugadas da lanchonete agitada em Birigui, interior de São Paulo.

O nome do tal caldo é inspirado na obra de Genival Lacerda. Depois de uma tentativa para realização de um novo caldo para o inverno, eis que alguém questiona: de quem é esse jegue? O nome pegou e assim foi batizado.

A fama é tanta que já virou patrimônio da cidade. Agora, Caldo de Jegue é prato típico de Birigui aprovado por lei municipal, já que não poderia ser diferente, pois esse já esteve entre os 10 finalistas da melhor comida do Brasil, com destaque em rede nacional.

Famosos já provaram. O músico e apresentador Moacir Franco é fã do prato, o time do Corinthians já deu uma passada para conhecer e entre a arbitragem de futebol é muito bem falado, fatos cujas fotos espalhadas nas paredes da lanchonete comprovam. Clientes de cidades da região e até de fora do estado estão sempre em busca de uma porção.

Entre as mulheres é o preferido, entre os homens o escolhido e entre os boêmios de fim de noite o mais solicitado.

A harmonia do simples espaço onde o caldo é servido é uma questão à parte. À primeira vista parece uma lanchonete típica do interior, com mesas que invadem a rua. Basta um simples passeio com o olhar para se notar as peculiaridades do lugar. A miniatura de um jegue logo ao lado da porta chama a atenção tanto quanto a TV da década de 1970, funcionando, comprada em 20 prestações na Lojas Mappin, extinta. Junte a isso o frenesi de garçons, todos com a mesma simpatia do Sr. Mané, passando com cumbucas cheias do Caldo de Jegue, além de outros pratos como o Caldo de Mocotó, o Biriguisão e o lançamento mais recente, o Bilacão. Os novos clientes ganham aquela degustação generosa do prato anfitrião. Mais completa ainda é a porção do caldo, que vem se derramando pela borda de fora da cumbuca.

Feijão branco, grão de bico, bacon, calabresa, frango desfiado. O torresmo bem sequinho faz a vez de cereja do bolo. Tudo isso está no prato que era para ser típico de inverno, mas não pense que no verão diminui a freguesia…

No Caldo de Jegue não vai nenhum animal exótico, só mesmo o carinho do Mané, que encanta cada novo cliente. E aí, vai encarar?

Caldo de Jegue

Ingredientes:

1,2 kg de filé de frango desfiado (ferventado com vinagre e depois cozinho com água e sal)
700 g de grão-de-bico cozido
500 g de calabresa defumada em cubinhos
400 g de feijão-branco cozido
500 g de pancetta picada
500 g de bacon picado
250 g de colorau
110 g de tempero completo industrializado
20 g de páprica
15 g de curry indiano
150 g de alho triturado
5 g de noz-moscada
5 folhas de louro
5 cebolas picadas
3 pimentões verde picados
Torresmo e torradas para acompanhar
Óleo para refogar

Modo de preparo

1. Refogue os legumes no óleo até dourar.
2. Acrescente os temperos e as carnes e refogue mais um pouco.
3. Coloque na panela o grão-de-bico e o feijão-branco cozidos, cubra com água e espere o caldo engrossar.
4. Salpique o colorau e espere ferver um pouco mais.
5. Sirva com as torradas e o torresmo.

 

Texto: Marinho Rodrigues e Willians Menani

Fotos: Marinho Rodrigues

Gostou dessa história? É essa a versão que você conhece? Você pode contribuir com suas memórias e complementar nos comentários abaixo com a sua versão dos fatos.

Se você tiver alguma dúvida sobre a programação do Circuito Sesc de Artes, por favor, entre em contato através do Fale Conosco do site, clicando aqui. [http://bit.ly/Circuito-FaleConosco]

Posts Relacionados

Comentários