As músicas que nos unem

No princípio, foi o samba. Um dos artistas pegou um cavaquinho enquanto os outros entravam no ônibus, prestes que estávamos a sair de Cubatão. Mas foram refrões de pagode dos anos 1990 que coroaram o fim da primeira noite desse grupo.

Só que os espaços onde eles se apresentaram estava repleto de música, que iam de mixagens eletrônicas ao afoxé, passando pelo baião de Luiz Gonzaga. Foi assim na Praça da Independência em Cubatão, mas também na Praça dos Expedicionários do Guarujá. Resolvi então perguntar aos fazedores desses sons qual a relação deles com a música.

Muitos tinham recém almoçado quando a DJ Simoníssima assumiu os equipamentos com seu set musical. A mistura de estilos é uma marca forte do trabalho dela, mas mesmo estando associada a ritmos diversos da música brasileira, não faltaram batidas de outros países da América e até um momento de música balcânica para dar aquela vontade de se espalhar dançando pela praça. A pessoa que discoteca não é só quem aperta o play; para Simoníssima, o DJ precisa ter repertório musical, nenhum preconceito e uma vontade de contar uma história com a seleção musical.

Para mim, música é troca de energia, é conexão. Eu preciso ter minha percepção ligada. Vai além do técnico e do racional.  Você precisa perceber, ter o intuitivo.

DJs trabalham no lugar de encontro, e proporcionam não só diversão para o público como também a chance de pessoas descobrirem juntas novas músicas.

Simoníssima fica o tempo todo próxima aos seus equipamentos, mas suspende um pouco a sua seleção para outros espetáculos acontecerem. Um deles é Luiz Lua Gonzaga sobre o rei do baião. Um tradicional trio de forró entra em cena. A música ocupa momentos específicos mas invade o espaço e o público canta junto, enquanto a letra sugere olhar pro céu e ver como ele está lindo. Giordano Castro do grupo Magiluth falou um pouco da relação da peça com a música.

A gente buscou a música não no lugar da linguagem apenas mas numa questão de memória mesmo. No espetáculo, por exemplo, a gente nem se reporta a ele, Luiz Gonzaga, além do título e das músicas que estão lá. Mas a gente tenta buscar o que a obra dele causa em todos nós que somos nordestinos.

A música aqui é uma parte fundamental por trazer aos atores lembranças de Garanhuns a Recife.

“A minha relação com a música é desde sempre”. A frase foi dita por Simoníssima mas também saiu da boca de Nilze Carvalho. Nilze e seus músicos trouxeram uma roda de samba do Rio de Janeiro para o Circuito Sesc de Artes. Ela começou a tocar cavaquinho aos cinco anos de idade e isso motivou o pai, trompetista, a aprender instrumentos de corda também. Apesar de sua origem ser no chorinho, o samba estava sempre presente.

Eu gosto de cantar tudo, qualquer estilo. Meus discos são todos calcados a princípio no samba, mas eu sempre deixo em aberto, porque a música brasileira é muito rica. Sempre entra um forró, um choro.

Quando perguntei do repertório que conta com Vanzolini e Adoniran, sambistas muito importantes para São Paulo, Nilze me disse que não tem essa de disputa regionalista: “pra música entrar no repertório, basta gostar!”

Escrito por:

Bárbara Carneiro

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