A Arte Na Cidade Do Lobisomem

A estrada, a cada curva, anuncia mais uma montanha. Como pares, similares, estavam carregadas de verdes, com rios aos pés e nuvens na cabeça. A sensação da possibilidade de alcançá-las se fazia presente quanto mais o ônibus subia o caminho que leva para a cidade do lobisomem, também conhecida como Joanópolis.

Ao chegar, a alcunha começa a mexer com o imaginário. Um enorme boneco do tal meio homem meio lobo adornava de boas vindas quem se sente forasteiro. Seria um modo de afugentar os medrosos ou um jeito de provocar os cheios de coragem? Provavelmente nenhum, nem outro. Joanópolis sabe o bem que faz para a questão turística uma boa lenda. E essa só vai crescendo conforme se adentra a cidade. Nas ruas, nas portas dos estabelecimentos comerciais, nas janelas, se faz presente a representação da tal figura que se manifesta na Lua Cheia.

O bônus da noite veio com a folclorista Neide, moradora da cidade, que nos contou a história do lobisomem de Joanópolis. O causo dela está aí no vídeo.

Em uma cidade onde o folclore se manifesta com tamanha fluidez, a chegada do Circuito Sesc de Artes aguçou os sentidos dos ansiosos que aguardavam o momento em que a arte tomava conta da praça. Mal terminada a montagem, o público já se organizava para curtir o que o Cine Olho tinha a oferecer e o que apresentava o teatro de sombras. E bastou poucos minutos para os sorrisos começassem a aparecer. Quando as Splashcletas soltaram os primeiras produções abstratas produzidas pelo público, outros futuros artistas já focaram sua atenção para essas bicicletas que produzem arte. A literatura pendurada no varal improvisado na praça atraiu a atenção de quem gosta de viajar pelas palavras. Artista plástico e morador da cidade, Silvio Alvarez acompanhava entusiasmado, a alegria das crianças que mergulharam na proposta artística que tomava conta da praça. Elas, com o brilho nos olhos de quem encontra algo pela primeira vez. Ele, com o brilho nos olhos igual a de uma criança com tanto interesse pela arte.

“Receber o Circuito Sesc de Artes é uma alegria imensa, pois contribui para que formemos um público na cidade que aprecie as artes. É um presentão inesquecível”

E daí veio a arte cantada do grupo Ordinarius, que o público cantou junto, a cultura afro manifestada pela dança que motivou os aplausos público ao ritmo marcado pelas percussões do Ballet Afro Koteban, formado por artistas da Guiné e da diáspora africana no Brasil. A mágica fechou a noite com o público atento a cada movimento dos ilusionistas e, enquanto tudo isso acontece, ficou nossa pergunta: será que o lobisomem aproveitou o Circuito?

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