A cidade do Tanque de Guerra

Andradina, distante 631 quilômetros da capital paulista, reativou há poucas semanas a unidade do Tiro de Guerra local. Para celebrar o feito, um tanque de guerra em desuso foi transportado de Campo Grande (MS) à cidade para marcar o retorno das atividades militares. Sob escolta do Exército Brasileiro, a Viatura Blindada de Combate M-41 desfilou pelas principais avenidas do município e encontra-se em exposição.

O modelo, produzido pelos Estados Unidos na primeira metade do século passado, foi importado pelo Brasil a partir da década de 1970. Aqui, passou por uma série de modernizações, foi repotencializado e recebeu canhão com maior calibre. O blindado pertencia à Cavalaria do Exército Brasileiro.

Com o surgimento de modelos mais avançados, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro, o País começou a comprar dos americanos a Viatura Blindada de Combate M-60. No começo do século XXI, o País optou em passar a adquirir dos alemães o modelo Leopard. Após a troca de toda a frota nos quartéis brasileiros, o M-41 deixou de ser usado efetivamente.

As unidades inoperantes tiveram o motor retirado, assim como toda a parte interna. O tanque de guerra deixou de ser arma de combate para se tornar artigo de colecionador e monumento histórico.

Em Andradina, a viatura simboliza o retorno do Tiro de Guerra, hoje o 74º do Estado em funcionamento. Com a atividade suspensa desde 2007, o TG volta à cidade com a proposta de contribuir com o fortalecimento da sociedade no que diz respeito à responsabilidade social, à consciência cidadã, o cuidado com a pátria e o sentimento de patriotismo.

E patriotismo sugere defesa. É justamente essa a intenção da formação de reservistas pelo Exército Brasileiro nos Tiros de Guerra espalhados pelo País. Mas a história dos TG não é recente. Ela começa no Brasil no ano de 1896, quando foi construída uma linha de tiro ao alvo nos fundos do Palácio Guanaraba, no Rio de Janeiro, até então sede do Governo Federal. A finalidade era treinar tropas para a Guerra de Canudos. Logo depois, em 1899, um relatório do Ministério da Guerra revelou que o índice de acertos em alvos a uma curta distância pela tropa federal era muito baixo, o que instigou a criação do Tiro Nacional para treinar o uso de armas portáteis aos oficiais e civis. Já em 1902, o farmacêutico Antonio Carlos Lopes fundou na cidade de Rio Grande (RS) a Sociedade de Propaganda do Tiro Brasileiro. Inspirado no modelo suíço, a organização visava treinar civis para uma possível convocação militar para auxiliar na defesa do País.

Quatro anos depois, em 1906, é criada a Confederação do Tiro Brasileiro pelo Marechal Hermes da Fonseca que reunia as propostas do governo e de Antonio Carlos Lopes. Em 1916, impulsionados pelo discurso de Olavo Bilac em relação ao serviço militar obrigatório, a organização firmou parceria com as administrações municipais para a atuação do serviço formador de reservistas.

Após anos de história e tradição, uma unidade do Tiro de Guerra retorna à Andradina. E volta com estilo!

Entenda: a palavra cavalaria deriva do termo grego akwa, que quer dizer estar sobre algo. Por isso, a Cavalaria do Exército não se refere apenas aos soldados que utilizam o animal cavalo, mas, também, os tanques de guerra e outras plataformas.
Texto: Marinho Rodrigues
Foto: Secretaria de Comunicação de Andradina

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